Todas as freguesias têm uma história que se perde na noite dos tempos. Porém, muitos são os elementos que, pelo trabalho dos estudiosos, nos certificam da passagem do homem sobre a terra.

excerto da obra “Roteiro de S. João de Ponte”

“Nesta freguesia, há elementos que nos reportam à cultura castreja e dolménica. Entre outros elementos, refiro a existência do topónimo Mâmoa – o campo de Mâmoa – que faz parte da quinta do Bichalmo.

As Mâmoas ou dólmenes ou antas eram monumentos funerários megalíticos, na sua forma simples, constituídos por uma grande lage suspensa por estrelas. Estas construções suponham a existência de povoações, mais ou menos habitadas, as quais, em referência a esta freguesia, eram constituídas por «povoas».

Existe ainda esse topónimo com as suas casas muito rudimentares sobre lages, com moinhos hidráulicos posteriores aos habitáculos dos povos.

Já pelos finais do século passado, o incansável Martins Sarmento aqui terá detectado inícios arqueológicos de arcaico povoamento castrejo, motivo pelo qual surgirá, muito posteriormente, no inventário das estações de castrejas de A.C.F. Silva. O pe. Joaquim Maciel Torres, no seu estudo monográfico desta freguesia, editado em 1988, alude por seu turno a descoberta de uma ara romana, surgida em 1948 durante as demolições de uma «cozinha da parte do Assento». Depositada no Museu Martins Sarmento, aquela peça ostenta uma epígrafe, desta forma traduzida por Mário Cardoso: «Caio Suplício Festo, consagrou as ninfas em comprimento de voto». Facto que deve ser realçado, é o da existência de uma nascente dita «Fonte Liba», na encosta do Ave, lugar do Arrabalde. Também no templo paroquial existirá um elemento escultórico medieval, reaproveitado com mísula sobre a pia baptismal, o qual havia já sido trabalhado, por sua vez, a partir de um bloco epigrafado romano (Pe. M. Torres).

O erudito investigador A. Jesus da Costa regista, por seu lado, que no Museu Pio XII, de Braga, se guardarão «um capitel, restos de janela e pedras pré-romanas da antiga igreja de uma ara romana».

Também C. A. Ferreira de Almeida considera a existência de «restos de arquitectura pré-romana e/ou visigótica», em S. João de Ponte. Restos de Cerâmica comum ou em construção, bem como um pequeno «cossoiro» tem aparecido de igual forma no lugar do Passal.

A designação desta freguesia advém, por um lado, de uma estrutura pétrea erguida sobre o rio Ave, de remota origem, possivelmente romana (na sua fabrica primitiva). Uma «ponte petrina» erguida próximo do extinto cenóbio de «Sancti Johnnis Baptiste», já documentada em 1059, numa doação de Ramiro II ao mosteiro vimaranense fundado por Mumadona. Mas é bem recuada ainda a primeira menção documental à «Villa» e «eclesia» de «Sancti Johnnis Baptiste», datando precisamente de 20 de Abril de 991 (tratando-se muito concretamente de uma doação de Ordono II). O remoto e há muito desaparecido mosteiro alti-medievo teria seu assento possivelmente no próprio lugar da igreja, «exactamente no tabuleiro socalcado do Passal», como sustenta o historiador local Pe. M. Torres.

Próxima fica a interessante Ponte de Campelos que o nosso autor considera «pré-romana». Esta estrutura, de quatro arcos de volta perfeita, apresenta um aparelho almofadado nas aduelas de pelo menos um dos arcos: a sua feição de tipo «cavalete» pode dever-se à nítida reconstrução evidenciada ao nível do respectivo tabuleiro e guardas. Ainda na mesma freguesia, e ligando esta à vizinha Caldelas (Caldas das Taipas), ergue-se uma outra ponte de cantaria, esta de três arcos de volta perfeita e classificada «Monumento Nacional» desde 1926, cujo fabrico é tido por «romana». De cronologia baixo-medieval (séculos XII-XIV), será o sarcófago móvel de contornos interiores antropomórficos, considerado alti-medieval (séc. X) pelo Pe. Torres.

Quanto à arquitectura religiosa, para além da actual Matriz (edifício de incaracterística troca, ao sabor «neoclássico pobre», datada de 1815 e com ampliação e remodelação substancial nos meados da década de oitenta), há ainda as Capelas de S. José (ampla, a um fruste gosto «neogótico» e datada de 1949), do Sr. dos Aflitos (de bela traça barroca, setecentista), de S. Caetano (pequena e rústica), do Cruzeiro (com inscrição, naquele interessante padrão da Sra. do Amparo, de 1743), da Ribeira (transladada de Vila Boa de Quires, Marco de Canaveses, em 1960) e do Meogo (de 19758 é invocada primitivamente a S. Domingos).”

Fonte: Torres, Pe. J. E Salgado, A. (2004).«Roteiro de S. João de Ponte». Guimarães: Edições Prnt

OS ROMANOS

Todas as freguesias têm uma história que se perde na noite dos tempos. Porém, muitos são os elementos que, pelo trabalho dos estudiosos, nos certificam da passagem do homem sobre a terra. Na Vila de Ponte, não é diferente, existem elementos factuais que nos reportam à presença e atividade dos romanos neste território. Nesse período temporal, os romanos estabeleceram a sua principal residência exatamente no local onde hoje está localizada a Igreja Matriz (largo da Igreja), constituindo aí uma “Villa” ou “grande instalação agrícola romana”, que explorou toda esta zona.

Existe por exemplo no “Arrabalde”, na ravina sobranceira ao Rio Ave, a “FONTE LIBA”. Parece não existirem dúvidas de que foi uma fonte de água cristalina a que os romanos atribuíram significado especial para as suas “libações rituais” ou “sagradas” em honra das Ninfas. Também no recinto da Igreja, apareceu há umas décadas um desses monumentos.
Em 1948, ao demolir uma velha cozinha de propriedade do Assento, apareceu uma “ARA ROMANA”, com a inscrição “NINPHIS G SVLP. FES TVS EX VOTO” (Caio Sulpício Festo, consagrou às Ninfas em cumprimento de voto) que foi oferecido ao Museu da Sociedade Martins Sarmento, em 14 de junho de 1949.
Muitos séculos antes, terá existido pelo menos outra, que os construtores do primeiro templo cristão, sediado no largo da Igreja, aí pelos anos oitocentos ou novecentos, utilizaram para fazer um “cachorro” românico ou pré-romântico, que apareceu ao demolir uma parede, a quando da ampliação da atual igreja. Esse cachorro foi aproveitado e utilizado como mísula sobre a pia de batismo da cripta, na qual se colocou a imagem de S. João Baptista. Da mutilação escaparam algumas letras desconexas que ficaram embutidas na parede.
Outro facto incontornável da presença dos Romanos na Vila de Ponte é a ponte de Campelos. É comumente aceite que se trata de uma ponte tipicamente Romana. A ponte de Campelos, apesar de pouco sabermos do ponto de vista arqueológico sobre a zona onde está implantada, deverá ter sido importantíssima para a região desde a época romana. Aqui vinha dar diretamente a estrada de Braga e, daqui e para Sul, saíam três vias. A primeira, em direção à ponte de Negrelos (Lordelo/Moreira de Cónegos) dirigia-se depois para o Porto. A segunda, em direcção a Vizela, tinha a sua continuação até Entre-os-Rios. A terceira, fazia ligação à ponte do Arco de Pombeiro e, daí, por Amarante até Baião ou Mesão Frio, onde passaria o Douro. Durante a Idade Média a ponte de Campelos terá mantido uma importância enorme nas ligações entre Guimarães e Braga. É, desde muito cedo, frequentemente referida na documentação medieval como ponte “vetera” ou ponte “petrina”.
A designação toponímica de Ponte, aliás, não é estranha, uma vez que Ponte tem um significado facilmente reconhecido, cuja origem deste título nasce de uma estrutura pétrea erguida sobre o rio Ave, que tudo indicia ser romana.
Esta “ponte petrina”, próxima do extinto cenóbio de S. João Baptista, é referenciada em 1059, numa doação de Ramiro II ao mosteiro vimaranense, fundado pela Condessa Mumadona.
A origem da Vila de Ponte (S. João de Ponte) é ainda mais antiga, existindo escritos de Abril de 911, cujo documento faz menção à ‘villa’ e ‘ecclesia’ de “Sancti Johannis in ripa de Ave”. Pertencendo sempre ao termo de Guimarães, Ponte foi propriedade de D. Pedro Alvites, mestre templário, em finais do século XII.

Ponte, é indubitavelmente uma das freguesias/vilas mais antigas do concelho de Guimarães e com uma história ímpar.

PERÍODO PÓS-ROMANO
Assim, no período pós-Romano, e após alguns séculos de ocupação, que levou literalmente à romanização do norte da Península Ibérica, onde foram construídas estradas, pontes, vilas, onde foram igualmente implementados costumes, idioma, ordenamento jurídico e tantos outros benefícios, a presença dos Romanos foi interrompida pela chegada dos Suevos, que durante duas centenas de anos comandaram o Reino Suevo, com capital em Bracara Augusta, hoje a histórica cidade de Braga.
O Reino dos Suevos (409 – 585 dC), foi o primeiro estado pós-Romano da Europa no tempo das invasões Germânicas, foram os primeiros a cunhar uma moeda própria e os primeiros a terem um monarca suevo convertido ao Cristianismo, o Rei Requiário em 448 dC. Volvidos cerca de dois séculos, o Reino Suevo foi absorvido pelos Visigodos.
A presença deste povo na Vila de Ponte, é documentada em 20 de abril de 911, quando Ordonho II, Rei dos Visigodos, doou a Santiago de Compostela, a Igreja de S. João de Ponte, sita na margem do Rio Ave, com a sua Vila e terrenos envolventes, com todos os seus direitos e prestações, tudo quanto aí nos obteve e escriturou a Abade Honorico. (Vid. História de Santiago de Compostela, II, 1899, Apend. 30, de A. Lopez Ferreiro, onde refere que: “in território bracarense ecclesiam Sancti Joahannis in ripa de Ave cum sua Villa vel adjacencias, cum cunctis prestationibus suis quantum ibi HONORICUS ABBA obtinuit et nobis per scripturam concessit”).
E disso nos certifica quatro décadas depois o Rei Ramiro II, sucessor de Ordonho II, quando em 950 dC, doou desta feita ao Mosteiro de Guimarães, de que era fundadora sua sobrinha, a Condessa Mumadona, o nosso Cenóbio ou pequeno mosteiro designado por São João Baptista (entretanto extinto) que foi fundado na margem (esquerda) do Rio Ave, perto da ponte de pedra (“Cenobio REI RAMIRO II DE LEÃO nostro nuncupato Sancti Joahannis Baptiste que est fundato ripa rivulo Ave, prope ponte petrina”).
Dos numerosos mosteiros mencionados nos documentos dos séculos IX a XI, destacam-se os de Guimarães e Lorvão. Porém, o pequeno mosteiro referenciado desta freguesia (Ponte) é mais antigo do que o de Guimarães, pois já no princípio do século X, fora doado como se disse anteriormente a Santiago de Compostela, e só posteriormente, à fundadora do convento de Guimarães, Mumadona, por seu tio, Ramiro II.
Volvidas algumas décadas, e com menos de um século de história da nação portuguesa, com o beneplácito régio de D. Afonso II – 3º Rei de Portugal – em finais do Século XII, e pertencendo sempre ao termo de Guimarães, a “Vila de Ponte” foi propriedade de D. Pedro Alvites, Cavaleiro Português – 1º Mestre templário eleito nos três Reinos (Portugal, Leão e Castela).
O "DINAR" DA VILA DE PONTE
“Já anteriormente tivemos oportunidade de mencionar aqui as difusas referências à passagem dos Mouros históricos, que não necessariamente os da cultura popular, por terras de Guimarães, de que se fala a propósito do martírio e sepultamento de São Torcato, Bispo de Braga, por volta do ano 719. Falávamos da escassez de testemunhos arqueológicos que sustentem esses acontecimentos, relatados pelas fontes escritas e pela tradição oral. Os vestígios materiais desse passado tão pouco conhecido a que chamamos Alta Idade Média são, de facto, muito raros. Mas, curiosamente, um estranho local, conhecido como Monte da Ínsua, na freguesia de Ponte, trouxe até nós um desses raros testemunhos, sensivelmente contemporâneo da morte do célebre Torcato Félix, infligida pelo menos célebre, mas lendário, “Muça”.
Ora, o Monte da Ínsua foi, em 1928, alvo de explorações arqueológicas dirigidas por Ricardo Freitas Ribeiro e José de Pina, diretores da Sociedade Martins Sarmento, depois de, na Quinta da Ribeira, se ter exumado o que aparenta ter sido um forno de época romana, quando se abriam valas para plantar árvores. Segundo a ampla descrição de Luís de Pina, datada do mesmo ano, os vestígios abarcarão, contudo, diferentes períodos históricos.
Mas o achado mais curioso, que nos remete para as informações que mencionámos no início, é uma moeda bastante rara. Mais rara ainda por ter sido recolhida no Norte de Portugal. Trata-se de um dinar (moeda árabe* de ouro) omíada, datado do ano 721 (ou 102 da Hégira, o evento que marca o início do calendário muçulmano). Está portanto datada de dez anos depois do início da “invasão sarracena” da Península Ibérica, e apenas dois anos após a morte de São Torcato.
Com pouco menos de 2 centímetros de diâmetro, apareceu a moeda de ouro “num rego aberto para batatas”, nas palavras de Luís de Pina, perto da casa da referida Quinta da Ribeira, e não muito distante do mencionado “forno romano”. Foi, aliás, Luís de Pina quem pediu um estudo desta moeda, ainda no ano da sua descoberta, a David Lopes, provavelmente o primeiro arabista português.
De acordo com os preceitos do Islão, a moeda não apresenta qualquer imagem, consistindo os seus elementos visíveis apenas em frases escritas, grafitadas como elemento decorativo da própria moeda. Como é comum em qualquer produção monetária, este numisma contém uma mensagem, política e religiosa, começando neste caso pela Shahadah, ou declaração de fé islâmica. Assim, segundo a leitura de David Lopes, contém no anverso as frases “Não há mais do que um só Deus” e “Maomé é o enviado de Deus. Enviou-o com a boa direção e a religião da verdade.”. No reverso “Em nome de Deus, misericordioso e clemente.” e “Foi cunhado este dinar no Andaluz no ano de 102.”.
Como ali foi parar este curioso numisma é algo que escapa ao nosso conhecimento, como nos escapam as ocupações do Monte da Ínsua, onde não mais se fizeram pesquisas arqueológicas que trouxessem à luz dados mais claros. Teriam andado mouros por Ponte?
*A palavra “árabe” talvez não se a mais adequada para apelidar estas produções monetárias, mas utilizamo-la aqui como termo genérico, uma vez que as legendas destas moedas estão, de facto, escritas em árabe.”
Autor do artigo: Gonçalo Cruz, Arqueólogo da Sociedade Martins Sarmento
Publicado em 01 de fevereiro de 2018, pelo Reflexo Digital
CARTA DE FORAL SÉCULO XII
A Carta de Foral é um documento jurídico autêntico, que se destinava a regular a vida coletiva de qualquer povoação nova ou já existente, formada por homens livres ou libertados por esse estatuto. Os Forais, por sua natureza, são verdadeiras «Cartas de Privilégio», obtidas por certos agregados habitacionais, enquanto os restantes agregados, situados também em domínios da Coroa ou Senhoriais, estavam submetidos ao regime de terras reguengas ou foreiras, sob a ação dos agentes fiscais do soberano ou senhorio, sendo muitas vezes, vítimas de exigências arbitrárias, por falta de códigos e contratos escritos.
Há bastantes anos existiu na Vila de Ponte, mormente no Recinto da Igreja, uma pedra legendada com o termo «FORAL», a qual desapareceu na década de quarenta, destruída inadvertidamente por operários a quando dum restauro da Igreja, nessa altura.
Depois de várias pesquisas, encontramos seguinte referência à existência desse documento:
«EGO ALFONSUS II DEI GRATIA PORT. REX UNA CUM UXORE MEA REGINA DOMNA (URRACA) INFANTIBUS DOMNO SANCIO ET DOMNO ALFONSO ET DOMNA ALIONOR CONCEDO ET CONFIRMO FIRMITER UNIVERSIS POPULATORIBUS DE PONTE ISTUD FORUM ET ISTAM CARTAM QUAM EIS DEDIT (AVIA MEA REGINA) DOMNA THARASIA. ET UT ISTA CARTA FIRMIUS ROBUR OBTINEAT IDCIRCO EAM COMUNIRI FECI SIGILLO MEO PLUMBEO. ET FUIT FACTA APUDE VIMARANES MENSE AUGUSTO (ERA Mª CCª Iª Vª).
REX ALPHONSUS ET DOMNA ALIONOR HANC CARTAM PROPRIIS MANIBUS ROBORAVIMUS… ET FECIMUS»:
TRADUÇÃO:
«EU AFONSO II PELA GRAÇA DE DEUS REI DE PORTUGAL COM A MINHA ESPOSA RAINHA DONA (URACA) COM OS INFANTES DOM SANCHO E DOM AFONSO E DONA LIONOR CONCEDO E CONFIRMO FIRMEMENTE A TODOS OS POVOS DE PONTE ESTE FORO E ESTA CARTA QUE LHES DEU (A RAINHA MINHA AVÓ) DONA TERESA. E PARA QUE ESTA CARTA SEJA MAIS FIRME DO QUE UM «ROBUR» (CARVALHO) (OU TENHA TODA A SOLIDEZ) A FIRMEI COM O MEU SELO DE CHUMBO. E FOI FEITA EM GUIMARÃES NO MÊS DE AGOSTO» (ERA DE 1204).
O REI AFONSO E DONA LIONOR FIZEMOS E SUBSCREVEMOS ESTA CARTA COM AS NOSSAS PRÓPRIAS MÃOS».
Para leitura deste texto fica-nos a certeza de que fora concedida uma carta de foral a esta vila. Porém, não explicita o conteúdo desse documento. Seria oportuno perguntar-se sobre qual o tipo de Foral que Dona Teresa concedeu à Vila de Ponte. Se tivermos em conta que a circunscrição das terras, mormente a partir da sua doação por Ramiro II, ao convento de Guimarães, fundado por sua sobrinha, a Condessa Mumadona, estiveram sempre afetas a esse «Senhorio Feudal» e alguns prazos ao Reguengo e outros enfiteutas, havemos de concluir que terá sido um Foral para proteger os «Vizinhos» e «Herdades», assegurando-lhes proteção contra os enfiteutas e regularizando os foros, pensões e rendas.
Também poderia ser apenas para incentivar os moradores de Ponte a cultivarem a terra, afim de tornarem este solo, já desbravado pelos romanos, e com qualidades de fertilidade notáveis, ema parcela do Condado Vimaranense próspero e com capacidade para ocorrer às necessidades da comunidade, como o verificamos por vários foros e rendas para a defesa e para as lutas da reconquista das terras aos árabes e ainda para a Ordem do Hospital, dando-lhes certas normas e princípios que os protegiam.
Como quer que tenha sido, subsiste a consoladora realidade histórica do interesse real e de Santa Maria de Guimarães por esta terra de Ponte desde os primórdios da nacionalidade.
“FORNOS” ROMANOS DA RIBEIRA DESCOBERTOS EM 1928
No longínquo ano de 1928, a nascente do parque pertencente à Quinta da Ribeira, localizada na Rua Monte da Ínsua, em Ponte, ao abrir uma cova para a plantação de árvores foi descoberto um forno muito antigo (Cfr. figura A) à profundidade de um metro, onde apareceu a parte superior de dois murros de alvenaria tosca, constituindo, a par, uma curta galeria que, por um dos topos, remata uma cavidade da mesma largura, medindo um metro da boca à parede posterior.
Quando o descobriram, todo ele, bem como a galeria, estavam repletos de terra e fragmentos de telha em avultado número. A parede posterior do forno era também de alvenaria grosseira, ligado a barro; o pavimento, já destruído, era construído de barro e tijolo grosso. Destaque-se o engenho na forma de construção deste forno: as paredes laterais são formadas pela própria terra, ao qual se encostam, de cada lado, três colunas de tijolos circulares, acamados em pilha, sustentando assim a pesada abóbada a terra e pedregulho. A secção coronal do forno apresenta-se sob a forma de um arco um pouco abatido. A boca do forno, de ambos os lados, existem ainda alguns tijolos dispostos como o das colunas, sendo provável que o total destas fosse de 5 pares.
Na parte posterior da abóbada nota-se um orifício largo, irregular, aberto para o exterior, possível tiragem ou chaminé do forno; da mesma maneira, na parte da abóbada compreendida entre o topo das colunas parece existir outras tiragens. Num total de sete, estas chaminés demonstram um pouco a serventia daquele forno, que suportou enormes temperaturas, segundo se depreende da cor dos tijolos, da alvenaria e do barro que a segura; alguns já estavam muito fendidos, estalados pela ação do fogo; em roda, na própria terra que circunda e envolve aquela construção, encontram-se dispersos inúmeros fragmentos de telha (inbrex).
A telha partida encontrava-se também sobre o forno, misturada com a terra que o cobria, numa altura de um metro, e aos lados do mesmo, dando a impressão de que para ali fora trazida doutro local e, nisto, aproveitada para maior concentração de calor e segurança do terreno. Era de barro grosso, alguma esfarelenta e algumas malcozidas. Alguns fragmentos eram micáceos e muito arenosos, denotando diversos fabricos. A cor é variada, desde o vermelho escuro ao branco acinzentado. A forma era vulgar, medindo a espessura de um a três centímetros (Figura B). Nalgumas, podem observar-se estrias longitudinais (Figura C), que aparentam terem sido feitas com os dedos de uma longa espátula. Distante deste local, no caminho que leva à estrada, foi encontrado naquela altura um pedaço de telha chata, de rebordo perpendicular (tégula). Os nomes de Fornos ou Lugar de Fornos (Monte da Ínsua) em Ponte parecem explicar em parte pela descoberta de um forno. Aquando da descoberta deste forno milenar, foi aí igualmente encontrado a moeda árabe em ouro (“Dinar” – Cfr. Figura D) que noticiamos na Edição de Novembro de 2020 do Boletim Informativo da Vila de Ponte.
CORPO DE BOMBEIROS

No longínquo ano de 1946, a Vila de Ponte teve o Corpo de Bombeiros Voluntários da C.ª de Fiação e Tecidos de Guimarães, localizado em Campelos, o qual foi comandado pelo Sr. Emílio Castelar Guimarães.

CASA PAROQUIAL
Todas as freguesias têm uma identidade, uma história, uma memória que se perde na noite dos tempos. Exatamente por isso, o Boletim Informativo da Vila de Ponte reaviva a história na edição de fevereiro sobre a antiga residência paroquial localizada outrora no Largo da Igreja de Ponte que certamente ainda se encontra na memória de milhares de concidadãos.
Construída no Século XVIII, a antiga residência paroquial, foi demolida no início da década de 90, e localizava-se junto ao adro da igreja. Esta casa tinha fundos, primeiro e segundo andar. Nos fundos tinha um quarto de criado, adega, loja do lagar, garagem, casa da lenha e três côrtes. No primeiro andar tinha oito aposentos, servidos por dois corredores. No corredor central, ao lado direito da entrada, ficava o escritório, quarto da Reitoria e quarto de trabalho; ao lado esquerdo, ficava a sala de visitas, quarto de hóspedes e sala de jantar. Ao fim do corredor central, que era isolado por guarda-ventos, cruzava-se com outro corredor, que dava saída para o pátio dum canteiro espaçoso, ladeado com muros altos, cobertos de latada e servido por dois portais, um para a via pública e outro para o Passal. No segundo andar existia um salão e dois quartos com sacadas, com muita luz e vistas admiráveis para todos os horizontes: Penha, Campelos, Rio Ave, Estrada de Braga a Guimarães, entre outras.
Após diversas remodelações ao longo das décadas, a antiga residência paroquial foi demolida devido ao estado precário em que se encontrava, não oferecendo por via disso condições de segurança e habitabilidade. Na década de 90, foi construída de raiz a atual residência paroquial.